domingo, 2 de maio de 2010

1 de Maio

Hoje houve algumas manifestações cá em Macau relacionadas com os direitos dos trabalhadores - não fose hoje o Dia do Trabalhador. Grupos de diferentes associãções juntaram-se com reivindicações para o governo, incluindo um grupo de cerca de 500 jovens macaenses que se juntaram via Facebook para expressar preocupação com as suas futuras condições de trabalho. Parte das suas demonstrações incluiu levarem peluches de ovelhas para evocar o "rebanho" a que não querem pertencer e casinhas de bonecas "já que não vamos poder comprar as de verdade" segundo as palavras deles.
A intenção dos manifestantes era passarem com os seus cartazes e reclamos pelo Leal Senado, a zona centrar de Macau que hoje esteve lotada de turistas. Mas nenhum desses turistas se apercebeu de alguma manifestação, e mesmo os locais só se aperceberam que algo se podia estar a passar porque o autocarro nr. 33 estava a fazer um precurso diferente.
A poucas ruas de distância, na zona do Porto Interior, os manifestantes recusaram-se a seguir o percurso previamente estabelecido pela polícia e como consequência, viram-se perante um bloqueio de rua, face a uma impressionante força de polícia de choque que incluia vários veículos, gás pimenta e canhões de água.
Juntaram-se perto de dois mil e quinhentos manifestantes (naquela rua..havia mais noutros sítios) que quase conseguiram passar pelo bloqueio policial. Foram rechaçados por gás pimenta e depois por jactos de água. Uma jornalista de Hong Kong levou com gás pimenta e uma jornalista portuguesa da Agência Lusa levou com um jacto de água que a derrubou, pondo-a incosciente. Foi para o hospital, mas está bem. Houve cerca de 42 feridos, incluíndo polícias (estes números são de um edit posterior, depois de eu ter sabido mais pormenores).
Os protestos amainaram e a situação acalmou passado algum tempo. Quando eu lá cheguei, estavam cerca de duzentos manifestantes e duas filas silenciosas de polícia de choque. Uma gravação fazia-se ouvir através dos megafones da polícia a determinar que aquela manifestação era ilegal.
Perto das oito da noite, dois deputados da asembleia da Região Administrativa Especial de Macau foram ouvir as reclamações dos manifestantes, mas isso não os demoveu. Ainda lá está um pequeno grupo de resistentes, e são agora quase quatro da manhã.
No primeiro de Maio do ano pasado também houve uma manifestação, mas essa foi completamente pacífica. Há dois anos, no entanto, chegou a haver tiros lançados ao ar e um manifestante atingido.
Este ano, aconteceu aquilo que aqui descrevi.
Desculpem a lengalenga toda...mas achei que seria bom ter isto tudo em conta ao ver as fotografias:










Desculpem o tamanho ridículo do post de hoje, mas não conseguir escrever menos ou por menos fotos. Para aqueles de vós que estejam a pensar que sou um tanto louca, não se preocupem, não passei perigo nenhum a tirar estas fotografias. Foi uma experiência marcante e um bocado surreal. 

Amanhã há mais se eu vier à net. Mas certamente não será nada tão impressionante.
N*

6 comentários:

Leto of the Crows - Carina Portugal disse...

Nonóóó! Andas a pôr-te em risco de vida! O que é que vai acontecer se eu perder a minha guarda pessoal? O.O

Anónimo disse...

Eu não estive em perigo de vida, Letuxa!
Nem tive em perigo nenhum, na verdade. Está descansada que a tua guarda não há de perecer, nem mesmo em serviço.

Leto of the Crows - Carina Portugal disse...

Hmmm... espero bem que não!

Anónimo disse...

Leonor, gostei muito da reportagem, parabéms.
Pus o link no meu facebook.
Aquela foto a preto do rapaz com a bandeira está excepcional.
Fernando

Kath disse...

Sim, a fotografia a preto e branco é mesmo linda.

Kath disse...

*a preto e branco com a bandeira.